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Primeiro lugar em vestibular, universitário da UFPE assassinado tinha história de superação

O dia foi de muita tristeza para todos que, nos últimos três anos, se emocionaram com a história de um jovem do Recife. Alcides do Nascimento Lins (foto 1) nasceu numa comunidade pobre e conseguiu passar no vestibular de Biomedicina, da UFPE, em 2007. Sonhava em se formar, mas a família não poderá ver o estudante receber o diploma. O jovem foi assassinado.

Na rua onde Alcides morava, a presença da Polícia chamava a atenção na manhã deste sábado (6). O estudante morava com a mãe e três irmãs, numa casa simples, na Vila Santa Luzia, no bairro da Torre. Alcides, de 22 anos, era um vencedor. De família pobre, filho de uma catadora de lixo, ele tirou o primeiro lugar entre os alunos da rede pública no vestibular 2007 da Universidade Federal de Pernambuco, quando passou em Biomedicina.

Foi uma festa para a mãe, dona Maria Luiza, que não se continha de alegria quando viu o nome do filho no listão dos aprovados. A história de superação foi contada para todo o Brasil, no Globo Repórter e no Fantástico.

Em três anos, o reitor da UFPE, Amaro Lins, construiu uma relação de amizade com Alcides. Neste sábado (6), ele se emocionou ao falar da forma trágica como o jovem morreu. "Que seja um exemplo para que todos nós possamos nos empenhar para mudar esse País e dar oportunidade a milhões de 'alcides' que estão espalhados em todos os recantos, para que eles não venham a ter um fim trágico como esse. Para que eles possam ter o futuro que Alcides teria, caso esses marginais não tivessem ceifado sua vida", afirmou o reitor.

Vizinhos e amigos não se conformavam com a morte de Alcides. "Ele era o exemplo da vila, da Torre. Era um menino calmo, muito educado. Todo mundo está chocado", lamentou a vizinha Taciene Souza.

O crime foi perto da meia-noite da sexta-feira (5). Alcides levou dois tiros na frente de casa. De acordo com vizinhos que não quiseram gravar entrevista, os dois bandidos teriam vindo buscar um rapaz numa casa ao lado. Baleado, Alcides ainda foi levado para o Hospital da Restauração, onde morreu durante a madrugada.

Maxwil Pereira da Silva faz parte do grupo de jovens da Igreja da Torre, que também era frequentado por Alcides. Ele mal acreditava no que tinha acontecido. "Eu sempre conversava com ele e pensava: esse vai ser um cara de futuro, vai entrar para a história. E de repente ter a vida interrompida por marginais, por pessoas que nem ao certo sabiam a pessoa grandiosa que ele era", disse.

Dona Maria Luiza saiu de casa vestindo a bata branca que o filho usava no estágio que fazia no Hemope. Depois, na Delegacia, desolada, ela não quis falar. Mas o gesto de olhar o cartaz da UFPE com a foto do filho vale mais do que qualquer entrevista (foto 2).

A polícia ainda está no início da investigação. "Estamos trabalhando com a hipótese de que o alvo não seria o Alcides, mas vamos escutar todas as pessoas que de certa forma presenciaram o crime", afirmou o delegado Fred Marcelo.

O enterro de Alcides está marcado para este domingo (7), às 11h, no Cemitério de Santo Amaro. O delegado que vai assumir a investigação a partir de segunda-feira é Isaías Novaes.

Fonte: www.globo.com

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