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Coronavírus: como agir se pessoas com deficiências severas forem infectadas

Saúde
17/03/2020

Conteúdo publicado no blog do Vencer Limites, na edição de 16/03/2020 do Estadão.

Autor: Luiz Alexandre Souza Ventura


Geneticista do Instituto Jô Clemente explica o que deve ser feito quando pessoas com sequelas graves, principalmente com restrições respiratórias, contraírem o vírus. Especialista comenta a situação das pessoas com deficiências intelectuais que não conseguem explicar o que estão sentindo e a importância de observar as mudanças de comportamento. Doença já chegou a 120 países, em todos os continentes, com mais de 142 mil infectados e 5 mil mortes. Brasil tem 200 casos confirmados em 15 Estados.


Quem cuida de pessoas com deficiências severas, físicas ou intelectuais, precisa ficar alerta e fortalecer as medidas de prevenção ao coronavírus (acompanhe informações em tempo real).


Como não há informações abrangentes sobre o vírus, pessoas com condições genéticas ou neurológicas que tomam remédios específicos, têm restrições respiratórias ou dificuldades profundas de comunicação, precisam ser monitoradas com atenção redobrada.


Essa recomendação é voltada principalmente para quem tem sequelas graves provocadas por paralisia cerebral, síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Atrofia Muscular Espinhal (AME), Esclerose Múltipla (EM), distrofias musculares e outras semelhantes.


'Precisamos lembrar que existem vários tipos de deficiências. Nas deficiências intelectuais leves e moderadas, nossa maior preocupação é com pessoas que não mantêm cuidado diárioconsigo mesmas, que podem não captar as recomendações sobre higiene e limpeza, além das dificuldades em externar o que estão sentido', afirma Caio Bruzaca, geneticista do ambulatório de diagnósticos do Instituto Jô Clemente (IJC).


"Quem está ao redor, quem cuida dessas pessoas com deficiência é que precisa perceber o que está acontecendo", diz o especialista.


"A falta de ar é um dos principais sintomas do coronavírus. Para pessoas com deficiência intelectual grave ou profunda, para quem usa ventilador mecânico para respirar, foi traqueostomizada (orifício artificial criado cirurgicamente no pescoço ou na traqueia), os cuidados devem ser os mesmos prestados aos idosos", explica o geneticista.


"Além disso, muitas pessoas com deficiência usam remédios específicos ou uma combinação de medicamentos, corticoides, redutores de imunidade, e isso pode agravar o quadro de quem foi infectado pelo coronavírus", comenta.


Nesta segunda-feira, 16, autoridades internacionais de saúde fizeram um alerta sobre os reflexos do uso de anti-inflamatórios, como ibuprofeno e cortisona, em pessoas infectadas pelo coronavírus. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), destacou que o ibuprofeno deve ser evitado porque esse composto facilita a entrada do vírus nas células.


Correr para o hospital - De acordo com o especialista do IJC, se há suspeita de infecção pelo coronavírus em pessoas com deficiência severas, a melhor providência é procurar atendimentomédico imediato. "Nesses casos, tem que correr para o hospital porque cada segundo é importante", completa Caio Bruzaca.

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